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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Num instante fulminante de um olhar



Ela sentou se na mesa mais recôndita da biblioteca junto á janela. Não lhe estava a apetecer rever a matéria toda, pensava ela, ao olhar para o enorme livro de química que tinha entre as mãos, pousadas na mesa. Sabia que alguém estava na mesa ao lado, mas não lhe prestara grande atenção, como sempre fazia com toda as pessoas que se sentavam nas mesas ao lado.
Até que algo lhe disse para olhar para a sua direita, ela olhou e viu aqueles olhos azuis que olharam para ela ao mesmo tempo. O olhar deles suspendeu se um no outro durante segundos que pareceram intermináveis. Quando desviaram o olhar, ambos tiveram a sensação que se continuassem a olhar um para o outro seriam fulminados e nada mais restaria, senão cinzas para contar a história.
Durante aquelas horas que ali estiveram sentados um ao lado do outro, cruzaram os olhares várias vezes, mas sempre com a tímidez á mistura e de forma muito fugidia. 
Ela reparava que sempre que ele se levantava para fazer a sua pausa para aliviar a cabeça dos estudos, em como ele pegava no seu relógio e o colocava no pulso e saia e como eles se olhavam sempre que ele voltava. Até que houve a altura em que ele se levantou, colocou o relógio, arrumou os livros e saiu.....
Ela acharia que, apesar daquela sensação, passado uns minutos voltaria a ser um dia normal, como tantos outros que passavam por ela, um atrás do outro.
Mas quando finalmente ele saiu do seu ângulo de visão, ela sentiu um pouco de vazio dentro de si, como se lhe tirassem algo....
Até que também ela arrumou as suas coisas e saiu... 
Passados uns dias não deu grande importância á coisa.
Até ao dia em que ela o voltou a ver novamente e todas aquelas ideias voltaram á sua cabeça... uma atrás da outra.
Na mesma biblioteca, na mesma mesa, mas infelizmente, a mesa ao seu lado estava já ocupada... não teve outra escolha que sentar se noutra sala, longe do seu ângulo de visão. Não passou muito tempo até ele aparecer, fazendo as coisas mais simples como ir á casa de banho, fazer pausas mais vezes e até usar o elevador, que ficava atrás dela e que obrigatoriamente ele teria de lá passar embora as escadas ficassem três vezes mais perto.
Todas as vezes que se encontraram não conseguiam desviar o olhar, uma e outra vez... 
Mas de todas as vezes, não conseguiam falar um com o outro, ele talvez por falta de coragem e ela por não a ter....
Como irá esta história terminar? Teremos de esperar para ver....

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