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segunda-feira, 11 de julho de 2011

O feiticeiro e o unicórnio


Muitas histórias que escrevo (e que muitas vezes não publico) imagino-as quando estou a tentar dormir. A última foi na madrugada de Quarta para Quinta-feira. É uma história que nada tem a ver com os nossos tempos... Uma história de fantasia de duas Criaturas sempre juntas mas eternamente separadas.
A minha mente em constante reprimenda de mim mesma diz-me que é uma história absurda, feita para sonhadores e eternos ingénuos dos finais felizes... Talvez a história seja mesmo assim... Porque é assim que eu sou... Eterna sonhadora e eternamente ingénua. Acredito no de que bom tem o ser humano e que maior parte do que dizem, o dizem com origem na verdade... 

Havia num mundo longínquo, um unicórnio e o feiticeiro que o domou... Ele sabia sempre quando o feiticeiro o chamava. Sabia que tinha de ir... se não fosse mais rápido, era um segundo que perdia na sua companhia.
Adorava quando ele lhe passava a mão no suave pêlo branco e imaculado. Sentavam-se junto ao rio e conversavam, por vezes dormitavam debaixo das árvores com a cabeça na barriga um do outro e nesse momento, o mundo era perfeito.
Mas havia sempre a hora de se separarem... Ele sabia que não podia ir com o feiticeiro para o seu mundo, pois as outras criaturas que ali povoavam eram diferentes dele e tentariam corromper a relação que tinham. Mas um dia, uma tempestade veio e separou os mundos que permaneciam juntos. Á medida que se separavam o unicórnio caiu por terra, sentia se mal e doente... O que se passava com ele, não sabia dizer. Estava sozinho agora, sem ninguém por quem chamar. Á medida que os dias passavam, as dores aumentavam, estranhamente sentia se cada vez mais pequeno, o pêlo já não se encontrava macio e tufos começavam a cair, formando bolas no chão onde se encontrava. Os habitantes da floresta deixavam comida para que se pudesse alimentar e ia comendo conforme podia.
As dores eram de tal forma insuportáveis que o seu corpo "desligou-se".
Acordou uma noite sem saber o que acontecera. Á medida que os seus olhos abriam e começou a observar, viu formas estranhas no seu corpo... Já não tinha cascos e sim dedos nos pés. Não tinha pêlo a cobrir o seu corpo, apenas uma pele nua banhada pela luz da Lua. Pelos seus ombros já não descansava uma crina branca, mas cabelos castanho chocolate. O choque era iminente. Apercebeu-se que afinal não era ele, mas sim ela.
O que me aconteceu? Era a pergunta mais recorrente na sua cabeça...
Tentou-se colocar de pé, mas não sabia como... Sempre se conhecera como um animal quadrúpede.
Mas aprendeu. Caminhou amparada ás árvores como podia, sabia que tinha de ter respostas. 
Encontrou os dois druidas da floresta, Juanusft e Mafauklos, dois sábios que ajudavam quem precisasse dos seus conselhos e orientação.
Os seus olhos arregalaram-se quando viram aquela criatura a subir as suas escadas. Suja e nua. Mafauklos correu a cobri-la.
Não é correcto andares assim tão exposta- disse lhe com voz complacente.
Ajoelhou-se no chão sem mais forças e tentou falar.
Só preciso saber... o que me aconteceu...
Era uma confusão na sua cabeça.
Finalmente aconteceu- conferenciavam os dois druidas. Como não vimos isto acontecer?
Tornaste-te humana, foi o que te aconteceu.
Mas porque sinto isto no meu peito? Uma tristeza enorme assola-me e água corre-me dos olhos. Eu perdi o meu feiticeiro e...
Já não és quem tu pensavas que eras. Tens de deixar isso para trás e habituar-te á tua nova condição. Nós ensinar-te-mos como viveres e como agires junto dos do teu género.
E assim foi. Aprendeu e viveu junto dos humanos, mas nunca conseguia ser totalmente feliz... Como se uma parte sua faltasse e estivesse perdida. 
Decidiu não viver mais ali e voltaria para a floresta. Com o que aprendeu junto dos humanos e seus costumes, saberia bem sobreviver sozinha.
Viveu sozinha onde sempre viveu, durante o que lhe pareceu anos. 
Enquanto o feiticeiro entrou num barco e foi procurar o seu unicórnio, pois sentia a sua falta como o ar dos seus pulmões, o sol brilhava bem alto lá no céu e o mesmo sol que o iluminava era o mesmo a iluminava a ela e nesse mesmo dia, ela caiu por terra com as mesmas dores que um dia tinha experienciado. E novamente o seu corpo "desligou-se".
Quando acordou e quando se olhou, tudo parecia igual, excepto um rasgão na pele da sua perna direita. Quando passou o dedo a pele afastou-se e por baixo dela, pêlo. Do mais branco e imaculado que ela tinha visto... As dores voltaram e ela desmaiou. Quando recuperou era novamente noite e era novamente um unicórnio. Grande e quadrúpede como sempre foi. E dentro de si ouvia um chamamento como já não ouvia há muito tempo. Sem tempo a perder, partiu numa corrida desenfreada, tropeçando nas pedras e nas raízes das árvores. Corria, tinha de correr, tinha de o ver. Cada segundo que passava, era menos um segundo que estaria na sua companhia. 

Como esta história irá continuar?
Talvez sonhe mais um pouco...
Cheers :)

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