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quarta-feira, 24 de julho de 2013

O Único Lar Que Eu Já Conheci...



 Considere novamente aquele ponto. Aquilo é aqui. Aquilo é a nossa casa. Somos nós. Nela todos que tu amas, todos os que conheces, todos os que  nunca ouviste falar, todos os seres humanos que já existiram, viveram suas aqui as suas vidas. O agregado da nossa alegria e do sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e cobardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, cada mãe e pai, criança esperançosa, inventor e explorador, cada professor de moral, cada político corrupto, cada "superstar", cada "líder supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. 
A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que em glória e triunfo pudessem ser os senhores momentâneos de uma fracção do ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto deste pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto. Os seus frequentes conflitos, na sua ânsia de recíproca destruição, nos seus ódios ardentes. As nossas atitudes, a nossa auto-importância imaginária, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no universo, são desafiadas por este ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Na nossa obscuridade - em toda essa imensidão - não há nenhum indício de que a ajuda virá de outro lugar para nos salvar de nós mesmos.A Terra é o único mundo conhecido, até agora, para abrigar a vida. Não há nenhum outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Habitar, ainda não. Gostemos ou não, no momento, a Terra é o lugar onde estamos confinados. Foi dito que a astronomia é uma experiência de humildade e de construção de personalidade. Talvez não haja melhor demonstração da tolice e das vaidades humanas do que esta distante imagem de nosso mundo minúsculo. Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente uns com os outros e de preservarmos e amarmos o pálido ponto azul, o único lar que eu já conheci.

Cheers :)

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