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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Parem o Mundo....


... que eu quero sair...
Hoje ouvi no rádio que os maus tratos a crianças estão ao aumentar.... devido á crise.
Maus tratos indirectos, quando os pais não conseguem suprimir as necessidades dos seus filhos.
Maus tratos directos, em que um deles são os abanões que os pais dão aos filhos, especialmente os bebés novinhos que choram muito, e os pais com a frustração do choro, do desemprego, das preocupações, vingam-se nas crianças....
Que país é este onde que eu vivo?
Em que ninguém quer saber de ninguém.... Os políticos com os seus ordenados chorudos, as suas subvenções privilegiadas, nunca souberam o que é viver em dificuldade.
Contar os tostões, saber que amanhã não há comida para pôr na mesa.
Deve andar meio mundo a lixar-se para o outro meio...
Hoje dei por mim no meio dos meus pensamentos a ter uma pequena conversa com o Homem lá de cima.
Pedi-lhe que se eu não puder suprir as necessidades básicas de um filho, se eu não não conseguir ser boa mãe, preferia que Deus não me desse a alegria de ter um filho.
Não quero de forma alguma que um filho meu passe por quilo que eu passei.
Não me entendam mal, eu não passei fome em criança, a minha mãe sozinha criou 4 filhos. Isso para mim foi um feito heróico.
Mas não tive o que se pode chamar de uma família. Pai, mãe, irmãos, primos, tios.
Nasci fruto de um namoro conturbado entre os meus pais. A minha mãe engravidou sem querer, e quando soube que estava gravida já estava no 4º mês de gestação.
O meu pai queria que a minha mãe "tratasse do assunto", pois já tinha dois filhos adultos e tinha medo que a sua família mais chegada não aprovasse.
A minha vinda ao mundo foi solitária. Apenas a minha mãe e os meus avós estavam lá para me dar as boas vindas.
Tive as figuras parentais noutras pessoas para além da minha mãe. No meu tio-avó, na minha tia-avó, que era quem cuidava de mim quando a minha mãe tinha de ir trabalhar para nos sustentar.
A minha tia-avó pequenina. Enfermeira. Freira. Rígida.
A minha avó que me ensinou a escrever o abecedário ali ao lado da sua máquina de costura, antes de eu sequer ter entrado para escola. Punha me muitas vezes de castigo quando não desenhava as letras perfeitas.
Mas ainda na tenra idade soube o que era ser bastarda.
A minha irmã expulsava me de casa do meu pai, e eu corria rua acima, e agarrava me ás pernas da minha mãe com medo.
O meu pai escondia me debaixo das mesas quando a minha irmã chegava a casa e tentava fazer me sair de casa escondida para ela não me ver, nunca tive tanto pânico de uma pessoa como tive dela.
Nunca me senti á vontade com a família do meu pai, se calhar foi um pouco de trauma com medo que mais cedo ou mais tarde eles não me achassem digna de estar nas suas casas....
A minha mãe teve vários namorados, nenhum deles era boa peça.
Depois da morte do homem a quem eu chamava de Padrinho, um dos companheiros da minha mãe, ela teve um namorado do qual sofri maus tratos psicológicos, até entrar na minha idade adulta.
Depois do final daquela relação, tornei me mais mãe dela do que o contrario, não me permitindo a mim curar me.
Odeio gritos, odeio discussões, faz me correr para um abrigo, não aguento e tenho ataques de pânico.
Todas estas situações marcaram de tal forma que ainda hoje não permito que as pessoas se aproximem muito, porque tenho medo ou que me achem má pessoa, ou que me magoem, ou porque eu não me saiba comportar á altura.
Sou extremamente tímida, melhor ouvinte que oradora.
Sou um péssima gestora de relações.
Não tenho um talento. Não sou boa em nada. Sou mediana na maioria das coisas.... Sou incapaz de dar pernas aos meus projectos, blog incluído e isso vê-se na quantidade diminuta de pessoas que passam por aqui.
Não segui a faculdade porque não sabia o que queria seguir de profissão, mas a verdade é que ainda hoje não sei.
Veterinária? não me dou com a Química.
Enfermeira? não me dou com o grafismo do corpo humano e as suas tragédias.
Engenheira? não me dou com  matemática.
Psicóloga? só se tiver em perspectiva o desemprego.
Médica? não sou inteligente o suficiente.
Escritora? não tenho talvez imaginação suficiente....
Então o que fazer?
Trabalhar em frente a um PC, inserindo cerca de 6000 matriculas de automóveis por dia, durante 8 horas, até começar a doer as articulações dos dedos.
Tratar de casos complexos de clientes, até ficar com a cabeça em água e não dar atenção suficiente á família
Estar ferrada no sono ás 21horas porque o corpo não aguenta mais.
Não é o sonho de ninguém e certamente não é o meu.
Tento fazer dos dias o melhor que posso.
Ao menos tento.
Cheers :)

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